Embora não sentisse que era a hora, ele fugiu. Colocou os dois pés na estrada, e se pôs a caminhar. Sem rumo, como sempre sonhou. Mas a chuva dominou seus caminhos, e enxarcou-lhe a cabeça e os pés. Sentia o frio cortar-lhe os ossos, como se soprasse de seu embigo para fora. Tremia. Mas não cogitava voltar. Queria ficar longe. Longe, longe, de tudo...queria ficar só. Mas o frio...
Sentou-se no meio-fio. Já estava molhado mesmo, pouco importava. Sentou, e ficou olhando as gotas de chuva que castigavam a poça d'água sob seus pés. Jogou a cabeça para trás, e riu, deixando que a chuva escorresse para dentro de sua boca. Saboreou a água insípida, e cuspiu-a. Esfregou os olhos, e levantou-se, sem saber o que fazer. Poderia ficar a eternidade sentado sob o meio-fio, sentindo aquilo que o fizera fugir pulsar no peito, como se fosse explodi-lo por dentro. queria vomitar aquilo que o pesava, mas não podia. Não havia comido, não havia o que vomitar. Lembrou das pessoas que o rodeavam. Não queria Vê-las, nem queria ouvi-las, não por enquanto. Não sabia o que era, mas não queria conversar com ninguém. A solidão, somente ela, doce e volupta poderia lhe dar o conforto que buscava. Mas apesar disso, o colo que a solidão lhe oferecia era desconfortável, e pouco amenizava aquilo que lhe tomava o peito e a cabeça. Chutou a poça d'água, e caiu sentado. Demorou-se para levantar. Mas, então, logo que o fez, correu. Rápido, veloz, escorregando pelo piso molhado ele correu. Mas não correu o bastante, para evitar o carro que vinha atrás, e a última coisa que sentiu foi seu corpo batendo contra o frio e duro capô do taxi, e sentiu-se içado ao ar, até que bateu forte contra o asfalto, vários metros à frente.
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