sábado, 13 de outubro de 2007

Não me vejo com alguém.

Estou sozinho nesse mundo, não por opção ou vontade.Mas por regra, exceção.Não há quem possa me compreender, nem mesmo eu.Não há quem queria me compreender.Nem eu mesmo.Não há quem vá comigo dividir a eternidade, pois esta é eterna e imutável demais pra minha pessoa.Tudo em demasia me enjoa.Tudo em escassez me afeta.Tudo com dureza me massacra.Tudo com amor me mata.Odeio os casais por eles serem felizes.Odeio os amantes por eles tranzarem sem se preocupar com o amanhã.Odeio os que falam, porque eles sempre tem quem os ouça.Odeio os mudos, porque eles aparentam ser superiores aos reles falantes num mundo de especulaões.Odeio os que estampam sorrisos nos rostos mal-desenhados, os que gargalham por motivos fúteis, os que se divertem as custas dos outros, e os que se deixam virar piada.Odeio quem me olha com desejo.Odeio quem me esnoba com sagacidade.Odeio quem me xinga, odeio quem me elogia.Odeio quem pensa em mim, quem fala de mim.Odeio quem se atreve a averturar-se pelos meus abismos imersos nas brumas sólidas da vertigem solitária de uma engrenagem simbólica de dor e náuseas.Odeio qualquer um que me dirija a palavra.Odeio quem odeia, quem ama e quem perdoa.Odeio qualquer coisa que eu goste.Mas amo aquele que me descarta.Porque ele me mostra quem sou, o que sou e o que nunca serei...

Um comentário:

AAS disse...

Aí é que está a contradição do amor, quando se ama, nem precisa estar com a pessoa, deixamos de ser nós mesmos, e deixamos de odiar o que nos é diferente, passamos a ser seres servis e doces, tentando ser o que o outro é, e quer...é deixar-se levar pelo sentimento puro, nada mais importa senão a entrega. Pode até doer, mas não há melhor remédio.