Diziam anjos não choravam...mas ela chorava, e chorava sem parar.Chorava até sentir seu íntimo esvaido de emoções; chorava até sentir sua vida descer pelo rosto e desfazer-se na ponta do queixo. Chorava para sentir-se feliz. Chorava numa vã tentativa de livrar-se da angústia, achando que se encarnavam no sal que escorria pelos seus olhos. Chorava de soluçar, crendo cegamente que os soluços eram os gritos do animal ferido aprisionado nas duras paredes do seu coração. Chorava, para sentir sua alma. E não tinha palavras para descrever sua dor. Sua dor, que ela desconhecia de significados; que ela abominava desculpas, uma dor que era tão antiga quanto a primordial noite do pecado. Uma dor que não podia se transduzir em lágrimas, em risos, em chutes ou palavras. Mas ainda sim chorava...para manter-se viva, para descarregar tensões. Chorava pra abrir buracos na cortina negra que a velava. Chorava em busca de alguém que enxergasse essas lágrimas e pudessem secá-las. Chorava, ás vezes, sem motivos. Chorava por chorar
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
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