Fiquei esperando meu ônibus hoje por quase uma hora.
Que lugar de merda!
¬¬'
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Relacionamento perfeito - Lya Luft
O assunto pode ser dramático ou engraçado, tão humano e tão difícil de entender.
A mim, sempre buscando explicações e significados porque tão pouco entendo, me ocorre falar ou escrever exatamente sobre aquilo que menos sei. Trabalho interminável, espécie de suplício de Tântalo: o pobre todo dia empurrando montanha acima uma grande pedra que voltava a rolar pela encosta, a fim de que o torturado recomeçasse mais uma vez.
Querer alcançar o significado das coisas, da vida, das gentes, de seus relacionamentos e desencontros, é um pouco assim.
Seguidamente me indagam – ou tento imaginar – o que seria um relacionamento perfeito. Eu ia escrever “casamento”, mas preferi a outra palavra, porque ela não tem nada a ver com cartório e burocracia, opressão ou coerção social e familiar: tem a ver com querer se ligar a alguém, e querer continuar ligado.
Cada dia, ao acordar, fazer de novo a escolha: eu quero mesmo é você comigo.
Mas “perfeito” é uma palavra tola: perfeição, só no céu de todas as utopias. Aqui, nesta nossa terra nada utópica, perfeição me pareceria um pouco entediante: como, nada a reclamar, tudo assim direitinho?
Olho pela janela e bocejo: muito sem graça, a tal perfeição. O céu com anjos tocando harpa pelo tempo sem tempo me deixava pasmada já na infância. Nada mais? Nem uma brincadeira proibida, um escorregão nas nuvens, uma risada na hora do sagrado silêncio... nem uma transgressãozinha na ordem celestial?
Minha alma indisciplinada não encontraria alimento nem estímulo, e ia-se desfazer em fiapo de nuvem embaixo de algum armário onde se guardassem os relâmpagos e os trovões, e todas as duras sentenças.
Então, relacionamento perfeito, nem pensar.
Mas uma ligação de cumplicidade e ternura, de sensualidade e mistério, ah, essa eu acho que pode existir. Como todos os contratos (não falo dos de papel mas de corpo, coração e mente), esse precisa ser renovado de vez em quando: a gente tira o contrato da gaveta da alma, e discute. Briga talvez, chora, reclama, mas ainda ama, ainda deseja. Ainda quer o abraço, o passo no corredor, o corpo na cama, o olhar atento por cima da xícara de café... quer até a desorganização e a ruptura, para depois de novo o que é bom se reconstruir.
Que seja vital: isso me parece uma boa parceria. Que seja dinâmica, seja lá o que isso significa em cada caso. Pelo menos, não acomodada; mas muito aconchegante.
Que seja sensual e amiga, essa ligação: se não gosto do outro como ser humano, com seus defeitos, sua generosidade e egoísmo, força e fragilidade, se não o quereria como amigo... como então, mesmo com tempero do desejo, posso me relacionar com ele para uma vida a dois?
O tema é quase infinito: pois cada caso é um caso, assim como cada casal é um casal, e cada fase da vida do indivíduo ou dos dois é diferente.
O bom é quando essa constante transformação se faz para maior cumplicidade, e não mais distanciamento.
Que um relacionamento não seja prisão; que não seja enfermaria nem muleta; mas que seja vida, crescimento (turbulências eventuais incluídas).
Que seja libertação e ajuda mútua; não fiscalização e condenação, a sentença pronunciada numa frase gélida ou num olhar acusador, ar de reprovação ou lamúria explícita.
Que seja cumplicidade, porque a vida já é difícil sem afetos. O som dos passos no corredor pode ser um conforto inacreditável, o corpo ao lado na cama uma âncora para a alma aflita. O entendimento recíproco é um oásis no isolamento desta nossa vida pressionada por tempo, dinheiro, regras, mil solicitações de família, trabalho, grupo social, realidade do mundo.
Que seja presença e companhia, o relacionamento bom: pois a solidão é um campo demasiado vasto para ser atravessado a sós.
A mim, sempre buscando explicações e significados porque tão pouco entendo, me ocorre falar ou escrever exatamente sobre aquilo que menos sei. Trabalho interminável, espécie de suplício de Tântalo: o pobre todo dia empurrando montanha acima uma grande pedra que voltava a rolar pela encosta, a fim de que o torturado recomeçasse mais uma vez.
Querer alcançar o significado das coisas, da vida, das gentes, de seus relacionamentos e desencontros, é um pouco assim.
Seguidamente me indagam – ou tento imaginar – o que seria um relacionamento perfeito. Eu ia escrever “casamento”, mas preferi a outra palavra, porque ela não tem nada a ver com cartório e burocracia, opressão ou coerção social e familiar: tem a ver com querer se ligar a alguém, e querer continuar ligado.
Cada dia, ao acordar, fazer de novo a escolha: eu quero mesmo é você comigo.
Mas “perfeito” é uma palavra tola: perfeição, só no céu de todas as utopias. Aqui, nesta nossa terra nada utópica, perfeição me pareceria um pouco entediante: como, nada a reclamar, tudo assim direitinho?
Olho pela janela e bocejo: muito sem graça, a tal perfeição. O céu com anjos tocando harpa pelo tempo sem tempo me deixava pasmada já na infância. Nada mais? Nem uma brincadeira proibida, um escorregão nas nuvens, uma risada na hora do sagrado silêncio... nem uma transgressãozinha na ordem celestial?
Minha alma indisciplinada não encontraria alimento nem estímulo, e ia-se desfazer em fiapo de nuvem embaixo de algum armário onde se guardassem os relâmpagos e os trovões, e todas as duras sentenças.
Então, relacionamento perfeito, nem pensar.
Mas uma ligação de cumplicidade e ternura, de sensualidade e mistério, ah, essa eu acho que pode existir. Como todos os contratos (não falo dos de papel mas de corpo, coração e mente), esse precisa ser renovado de vez em quando: a gente tira o contrato da gaveta da alma, e discute. Briga talvez, chora, reclama, mas ainda ama, ainda deseja. Ainda quer o abraço, o passo no corredor, o corpo na cama, o olhar atento por cima da xícara de café... quer até a desorganização e a ruptura, para depois de novo o que é bom se reconstruir.
Que seja vital: isso me parece uma boa parceria. Que seja dinâmica, seja lá o que isso significa em cada caso. Pelo menos, não acomodada; mas muito aconchegante.
Que seja sensual e amiga, essa ligação: se não gosto do outro como ser humano, com seus defeitos, sua generosidade e egoísmo, força e fragilidade, se não o quereria como amigo... como então, mesmo com tempero do desejo, posso me relacionar com ele para uma vida a dois?
O tema é quase infinito: pois cada caso é um caso, assim como cada casal é um casal, e cada fase da vida do indivíduo ou dos dois é diferente.
O bom é quando essa constante transformação se faz para maior cumplicidade, e não mais distanciamento.
Que um relacionamento não seja prisão; que não seja enfermaria nem muleta; mas que seja vida, crescimento (turbulências eventuais incluídas).
Que seja libertação e ajuda mútua; não fiscalização e condenação, a sentença pronunciada numa frase gélida ou num olhar acusador, ar de reprovação ou lamúria explícita.
Que seja cumplicidade, porque a vida já é difícil sem afetos. O som dos passos no corredor pode ser um conforto inacreditável, o corpo ao lado na cama uma âncora para a alma aflita. O entendimento recíproco é um oásis no isolamento desta nossa vida pressionada por tempo, dinheiro, regras, mil solicitações de família, trabalho, grupo social, realidade do mundo.
Que seja presença e companhia, o relacionamento bom: pois a solidão é um campo demasiado vasto para ser atravessado a sós.
LUFT, Lya; in Pensar é transgredir.
domingo, 3 de agosto de 2008
Taurino
Acho que estou começando a descobrir quem eu sou...
muito pouco animado, muito triste e cabisbaixo. Teimoso.
E alguém disse o que sempre quero. "Estabilidade em relacionamentos" (sejam eles quaisquer). Meus queridos amigos, tenho pena de vocês que são proximos do Di.
Quem tem saco pra se aproximar de mim? =/
muito pouco animado, muito triste e cabisbaixo. Teimoso.
E alguém disse o que sempre quero. "Estabilidade em relacionamentos" (sejam eles quaisquer). Meus queridos amigos, tenho pena de vocês que são proximos do Di.
Quem tem saco pra se aproximar de mim? =/
amor, amor
O que fazer quando você se pega no meio da noite acordado pensando naquela pessoa?
O que fazer quando você lembra dela, em meio a uma aula, e não consegue se concentrar em mais nada?
O que fazer quando você fica ansioso de encontrar aquela pessoa, fica olhando pro telefone esperando ele tocar, fica triste se não toca, se desepera se não te liga...
O que fazer quando você planeja uma saída com essa pessoa, e fica na expectativa até a hora marcada, vivendo aquele dia todo só pra esse encontro?
O que fazer?
O que fazer quando se descobre sentindo uma coisa tão assim, que tem até medo de falar.
O que fazer quando faz coisas idiotas e fica se sentindo um lixo depois, só em nome disso que você sente, mas que não dá sentido às suas ações, nem as explica?
O que fazer?
Ligar, às duas da manhã (porque é a hora que você sabe que ele ainda deve estar acordado) só pra dizer, todo envergonhado "eu amo você" e desligar correndo, constrangido?
Ou Escrever um depoimento (mais um, já são quase 20!) Dizendo como você se sente?
O que fazer se, depois disso tudo, você se sentir um bobo imaturo, grudento, chato, carrapato que gruda e não solta, e fica com medo de você mesmo por ser assim?
O que fazer...o que fazer?
Essa coisa que você sente, e que faz você agir assim, ora de forma muito agradável, boa, realmente legal, e em outras, de forma mesquinha, boba, infantil e realmente chata, como se chama essa coisa?
Que nome dar a isso que você sente, que você fala, que você chama, que você quer, que você quer demonstrar, mas não consegue, por mais que tente?
Que nome? que nome?
...
(leia o título!)
Mas mesmo chamando assim, serve de desculpa pra você ser assim?
O que fazer quando você lembra dela, em meio a uma aula, e não consegue se concentrar em mais nada?
O que fazer quando você fica ansioso de encontrar aquela pessoa, fica olhando pro telefone esperando ele tocar, fica triste se não toca, se desepera se não te liga...
O que fazer quando você planeja uma saída com essa pessoa, e fica na expectativa até a hora marcada, vivendo aquele dia todo só pra esse encontro?
O que fazer?
O que fazer quando se descobre sentindo uma coisa tão assim, que tem até medo de falar.
O que fazer quando faz coisas idiotas e fica se sentindo um lixo depois, só em nome disso que você sente, mas que não dá sentido às suas ações, nem as explica?
O que fazer?
Ligar, às duas da manhã (porque é a hora que você sabe que ele ainda deve estar acordado) só pra dizer, todo envergonhado "eu amo você" e desligar correndo, constrangido?
Ou Escrever um depoimento (mais um, já são quase 20!) Dizendo como você se sente?
O que fazer se, depois disso tudo, você se sentir um bobo imaturo, grudento, chato, carrapato que gruda e não solta, e fica com medo de você mesmo por ser assim?
O que fazer...o que fazer?
Essa coisa que você sente, e que faz você agir assim, ora de forma muito agradável, boa, realmente legal, e em outras, de forma mesquinha, boba, infantil e realmente chata, como se chama essa coisa?
Que nome dar a isso que você sente, que você fala, que você chama, que você quer, que você quer demonstrar, mas não consegue, por mais que tente?
Que nome? que nome?
...
(leia o título!)
Mas mesmo chamando assim, serve de desculpa pra você ser assim?
Fim das férias
É o fim. Das férias.
de novo a maratona (da qual eu não participo, mas dessa vez prometi a mim mesmo que irei fazer parte) de textos e leituras, trabalhos e aulas. Vou fazer a loucura de estudar de 7 às 5 na terça e na quinta. Mas não vou ter aula às quartas. Segunda, só tem pesquisa à tarde. E sexta só tem 2 aulas, às 9 e às 11. Vamos ver se saí o laboratório de PPB, se não, vai ser só isso. Devemos ter também 2 consultas com a Lara...mas isso só vai aocntecer se o FESP deixar...
enfim...
Arroubos de alegria e entusiasmos, acompanhados de desânimo e sensação de estranhamento e incômodo.
É tão difícil ser eu mesmo.às vezes eu queria fugir. De tudo, e todos. Dos pais, dos amigos, dos estudos, do namoro, da vida. Viajar por uma estrada por uns dias, sair num lugar novo, finjir que sou outra pessoa e começar uma nova vida...hahaha, parece até roteiro de filme barato da sessão da tarde.
Não, fugir não resolve nunca. Quem bebe, fuma, ou usa drogas, usa a sensação que as addicções causam pra fugir de alguma-coisa. Sempre. Se não, não haveria a necessidade de entrar nesse semi-transe imbecil. E as pessoas realmente são burras, porque não percebem que é uma fuga momentânea, e que embreve, estarão lá de novo, em busca do portal que permite a fuga. Não, fugir não. Além do mais acho que sentiria demais saudades de certas pessoas...
E pra terminar, Estou a pensar nas coisas que faço de errado, ou que pelo menos acho que faço errado. Deu uma lista enorme. Será que dá pra consertar?
de novo a maratona (da qual eu não participo, mas dessa vez prometi a mim mesmo que irei fazer parte) de textos e leituras, trabalhos e aulas. Vou fazer a loucura de estudar de 7 às 5 na terça e na quinta. Mas não vou ter aula às quartas. Segunda, só tem pesquisa à tarde. E sexta só tem 2 aulas, às 9 e às 11. Vamos ver se saí o laboratório de PPB, se não, vai ser só isso. Devemos ter também 2 consultas com a Lara...mas isso só vai aocntecer se o FESP deixar...
enfim...
Arroubos de alegria e entusiasmos, acompanhados de desânimo e sensação de estranhamento e incômodo.
É tão difícil ser eu mesmo.às vezes eu queria fugir. De tudo, e todos. Dos pais, dos amigos, dos estudos, do namoro, da vida. Viajar por uma estrada por uns dias, sair num lugar novo, finjir que sou outra pessoa e começar uma nova vida...hahaha, parece até roteiro de filme barato da sessão da tarde.
Não, fugir não resolve nunca. Quem bebe, fuma, ou usa drogas, usa a sensação que as addicções causam pra fugir de alguma-coisa. Sempre. Se não, não haveria a necessidade de entrar nesse semi-transe imbecil. E as pessoas realmente são burras, porque não percebem que é uma fuga momentânea, e que embreve, estarão lá de novo, em busca do portal que permite a fuga. Não, fugir não. Além do mais acho que sentiria demais saudades de certas pessoas...
E pra terminar, Estou a pensar nas coisas que faço de errado, ou que pelo menos acho que faço errado. Deu uma lista enorme. Será que dá pra consertar?
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